após revelar em outro post q sou leitor de freud, mesmo q de forma fraudulenta e sem sentido, ñ contenho minha vaidade e passo agora a assombrar o maior físico vivo.
esperem. acabo de ler na wikipédia q ele morreu. e q já faz tempo. então ignorem o primeiro parágrafo. vamos recomeçar: a princípio, ao saber q existia esse tal de newton e q ele havia redigido 3 leis imaginei q se tratava de um deputado ou senador. ñ seria decerto um parlamentar brasileiro senão essa leis ainda estariam em alguma obscura ou inútil comissão. pelo menos o poder legislativo é bem-humorado e possui sob suas saias uma comissão de constituição e justiça. se há tantas leis injustas creio q essa comissão deve estar dormindo no ponto. ou hibernando no ponto, sei lá. mas ñ vamos falar de poder legislativo, o tema de hj ñ é esse e ñ tem nada a ver com o poder legislativo brasileiro.
investiguei a fundo as 3 leis de newton, tendo permanecido na primeira e ignorado as demais pelo fascínio q a referida norma exerceu sobre mim. não há nada p/se entender: a inércia é a primeira lei, ora então p/q ler as outras duas ? caso eu investigasse as outras duas leis estaria de pronto violando a primeira. melhor obedecer logo à primeira e aguardar q chova martini na lata de refrigerante q vc catou no lixo. sem azeitona por favor, pq mastigar viola o ócio e faz mal aos dentes.
é sabido por todos q o trabalho é a forma mais cansativa de ganhar dinheiro. e tb é conhecido q muitos sábios preferem a ausência de dinheiro a ter q trabalhar. o trabalho destroi famílias, produz a renda q incita os crimes e dissemina inveja qdo o q trabalha acumula mais posses do q o q ñ trabalha. o trabalho tb é o avesso da religião e da bondade gratuita, embora esta em geral seja ocasional e malfeita (se é de graça vc ainda quer bem feito ?). nos dois próximos parágrafos discorrerei a respeito de trabalho e suas relações deletérias com família e religião, depois retornarei ao tema principal, qualquer q seja ele.
o trabalho separa as famílias. o pai sai p/trabalhar. a mãe sai p/trabalhar. o filho sai p/estudar. todo mundo sai de casa, fica só a empregada enrolando o serviço e assistindo televisão. o pai tem um caso com a secretária. a mãe tem um caso com um colega de trabalho. o filho engravida a professora durante a aula de química, qdo ninguém estava prestando atenção. pensando bem, nesses eventos, o trabalho é um agente multiplicador de famílias, pois o primeiro lar desfeito dá lugar a outros 3 pela ação voluptuosa de seus membros. ou dos membros dos seus membros. mesmo q a professora seja casada e se dê um empate de lares desfeitos eu ainda ñ contei q o pai tem um filho com a empregada, mas esconde de todo mundo, gerando uma segunda ou primeira família dependendo da extensão do feriado. já seria uma terceira família, mesmo q a empregada crie o filho sozinho, o q é o caso, estabelecendo o placar de 3x2 pró trabalho. e ñ me casem a empregada senão eu vou passar a minha vida escrevendo esse post. portanto nesse item quero me redimir com o trabalho, sendo esta sua única virtude: disseminador dos agrupamentos familiares. o trabalho é o aedes aegypti da família. sei q essa súbita mudança de opinião pode sacrificar o aspecto da coerência do meu texto, mas a intenção deste humilde folheto é modestamente retratar o mundo como um todo e suas vicissitudes. e o mundo ñ é coerente. tb nunca pensei q a família q eu ia descrever era tão lasciva e mais uma vez o sexo mandou o nexo para o beleléu. passemos adiante pq moro em jaçanã e tenho um trem p/pegar.
para sacralizar a oposição entre trabalho e religião faço uso da principal alcoviteira desta: a ciência. uma universidade particular de lisboa fez a seguinte experiência: ensinaram 3 homens a embaralhar cartas durante 6 meses; depois colocou cada um para cortar um alqueire de cana-de-açúcar; o primeiro deveria pedir ajuda a Deus antes de trabalhar; o segundo deveria só trabalhar sem pedir nada a Deus; o terceiro deveria só pedir ajuda sem trabalhar. o resultado é q os dois primeiros concluíram suas tarefas e o terceiro ñ conseguiu nada com exceção do vício em cartas. e qdo foi pegar o resultado da pesquisa foi atropelado por um ônibus. hospitalizado, o acidentado interpretou aquilo como um sinal divino e mudou completamente de vida, tornando-se instrutor de ioga em um zoológico. a conclusão da pesquisa foi óbvia: se é p/dar uma dica pq enviar um ônibus? ñ basta um sms? mas as altas cúpulas das religiões interpretaram q muitas pessoas poderiam entender q se pode vencer na vida e atingir objetivos apenas com o trabalho, o q é uma blasfêmia. trabalharam a imagem dos portugueses p/q passassem a ter fama de burros e assim prejudicaram a credibilidade da pesquisa. vejam qto mal se faz em nome de Deus ! e com esses argumentos concluo q o trabalho é avesso à religião, mesmo relendo o parágrafo e ñ me convencendo disso. passemos adiante.
a melhor forma de ganhar dinheiro é ter sorte. quem tem sorte ganha dinheiro na loteria ou acha pelas calçadas. a única vez q achei dinheiro na calçada ele estava tão grampeado em uma série de contas e me deu tanto trabalho tentar retirá-lo q decidi pagar as contas e ficar com o troco. mas os q têm sorte de verdade gargalham na cara dos trabalhadores. e sua gargalhada tem dentes de ouro. trabalhar é um preço muito alto pelo dinheiro. para estes a inércia é a lei de newton preferida e ñ posso lhes faltar abstendo-me de, como dizem os americanos, "put my hands in this bowl"*. o texto a seguir constitui uma maquete (existe maquete de texto?) de um preâmbulo preliminar q traduzi dos originais de newton. busquei conservar ao máximo os maneirismos do texto, o qual já possuía o estilo abreviado da internet. o cara estava à frente do seu tempo! imaginem uma pequena loja de roupas do sul de londres no início do século XVIII. agora já me vou e os deixarei a sós com newton e sua explicação sobre a lei da inércia.
qto é essa roupa?
nós já estamos fechando, senhora, ñ podemos mais vender.
mas ñ fecha daqui a vinte minutos?
mas se ñ tiver ninguém comprando a gente fecha antes.
bom, eu estou querendo comprar.
(olhando o relógio). tudo bem senhora, mas essa roupa ainda está sem preço.
mas tem outra igualzinha a ela, ao lado, q tem um código de barras. na verdade parece haver uma dúzia de roupas iguais a essa. veja o preço dela por favor.
essa roupa é gde demais p/a senhora, ñ vai ficar bem.
deixe-me ver. ah, eu tenho roupas com essa numeração... deixe eu experimentar.
os provadores já estão fechados.
mas os provadores têm apenas um cortina. vcs botaram cadeado na cortina? é só eu passar por ela.
é q os provadores não podem ser usados meia hora antes da loja fechar.
uma mulher acaba de sair de lá, veja.
essa mulher entrou antes da hora de fechar os provadores.
eu vou levar sem provar então.
mas nós ñ aceitamos devolução.
tem um cartaz dizendo q aceitam trocas até uma semana depois da compra !
mas é só p/quem provou a roupa antes de comprar.
mas eu ñ estou provando pq vc ñ deixa!
normas da loja... se fosse por mim eu deixaria.
onde está a gerente?
eu SOU a gerente. vc JÁ está conversando com a gerente. o q deseja?
vc já sabe o q eu quero. ñ vou repetir tudo de novo. sabe de uma coisa? vou levar a roupa. se ñ couber em mim, dará p/uma de minhas irmãs. aqui está o cartão.
nós ñ vendemos no cartão.
mas ali tem um adesivo com bandeiras de cartão.
coisa velha, vou até retirar.
mas tem uma máquina de cartão em cima do balcão !
já tirei da tomada. precisamos do telefone desocupado. estou esperando um telefonema urgente.
alguém da família doente?
ñ. um cara q eu conheci pela internet disse q ia ligar p/cá hoje.
vc mentiu pq disse q ñ vendiam através de cartão e agora é pq quer o telefone livre.
eu quis evitar discussão. a senhora é muito insistente.
vou pagar em dinheiro. aqui está o dinheiro.
o caixa está fechado.
como está fechado?
ele está fechado eletronicamente. só a menina do caixa sabe a senha e eu já a liberei. todo mundo merece um descanso, ñ é senhora?
uma loja desse porte tem um sistema de cofre de banco? a gaveta está programada p/abrir q horas?
só amanhã de manhã.
posso pelo menos deixar a roupa separada p/ eu pegar amanhã?
claro, sra, mas ñ posso garantir nada.
vou colocá-la em cima do balcão.
ñ no balcão ñ, sra. ñ pode entrar assim na loja, sra !
ei, a gaveta do caixa é normal, ñ tem nem chave.
a sra ñ pode entrar aqui, isso é invasão.
mas entrei e vi a gaveta normal. quero pagar agora. tome o dinheiro.
a gerente abre a gaveta e parece radiante ao dizer:
ñ temos troco.
*pôr minhas mãos nessa cumbuca.