todos q me reconhecem sabem do meu ramo. sim, é óbvio. eu vendo bíblias. eu vendo bíblias de todos os tamanhos e aspectos. eu vendo bíblias p/bebês, com páginas de pano p/ñ estragar com a baba. tb há a versão de borracha p/banhos. tenho bíblias em braille para cegos e até uma versão p/gagos, q já vem com as sílabas repetidas. tenho bíblias p/presidiários com espaços p/volumes no seu interior. sei lá, às vezes o cara quer guardar o rosário dentro da bíblia pq precisa orar com mais eficiência por um filisteu ou uma ovelha desgarrada... alguns deles me dizem q é p/guardar incenso. ñ sei porque a insistência em falar p/q vão usar o produto, eu só vendo e cobro, ñ me importo com o q fazem com ele. tantos estão matando e roubando. eu vendo bíblias.
temos bíblias cor-de-rosa, curiosamente mais compradas por homens, o q revela o romantismo evocado por esse livro antigo. suas parceiras devem ficar felizes em receber um presente tão digno e com uma cor q lembra a feminilidade. o q é interessante é q essas vendas ñ ocorrem nas proximidades do dia dos namorados. há bíblias camufladas para militares e outras apenas em desenhos, p/analfabetos e leitores do twitter. futuramente lançaremos a bíblia em tirinhas para leitores de quadrinhos. enfim, eu me considero um funcionário do mac donald's dos livros. e ñ é aquele obscuro q frita batatinhas longe dos olhos do público. eu sou o q anota os pedidos e depois anuncia no microfone: "uma bíblia azul smurf p/a criancinha e uma bíblia 'barbie evangélica' para a menininha religiosa da mesa 4".
desculpem-me mas eu iria contar o q se sucedeu qdo fui realizar uma pequena cobrança da venda de umas bíblias p/um dono de um estabelecimento de bebidas e diversão à beira-mar, mas acabei me empolgando e revelei parte dos 1355 itens do meu modesto cardápio.
ñ posso revelar o asco q tal ambiente me causa porque, a bem da verdade esses lugares ñ me causam repulsa nenhuma, por isso já entrei pedindo uma cerveja. o atendente, um homem cristão, devoto de nossa sra aparecida, porém devedor de 12 duplicatas, serviu-me a pior cerveja q a humanidade já produziu, o q ñ é pouco.
há os q avaliam a pessoa pelo seu talento de fazer o melhor, mas minha formação, q me obriga a enxergar as pessoas e seu todo, indica q o sol dá guarida aos q fazem o pior e o melhor indistintamente. e sinceramente, quem fez aquela cerveja ñ deveria usar protetor solar. eu bebi e senti pedras de brita pela garganta. mas vamos aos negócios.
primeiro o homem ñ reconheceu q comprou bíblias a mim, embora eu lembrasse com nitidez do dia em q o negócio se operou. tb apontei algumas das bíblias q vendo, com o meu carimbo e assinatura na pág interna, espalhadas pelo recinto, como pequeno reforço de memória de que a venda aconteceu. o homem disse q se lembrava vagamente, as imagens ainda pareciam fantasmas na cabeça dele. eu percebi q deveria incluir a memória daquele pobre homem entre meus pedidos de oração daquela noite. apresentei-lhe a assinatura do contrato e seu rosto pareceu se iluminar:
VELHACO
essa assinatura é da minha esposa !
EU
ótimo, onde está ela?
VELHACO
eu ñ sei.
EU
vc ñ sabe onde está sua esposa?
VELHACO
ñ
EU
mas vcs dormem na mesma casa, ñ é?
VELHACO
os negócios vão mal... isso abalou o casamento. estamos nos separando.
EU
mas vc tem o telefone celular dela, correto?
VELHACO
ñ
EU
vc ñ tem o celular de sua esposa?
VELHACO
quase ex-esposa. ela trocou o celular
EU
e o número de celular antigo?
VELHACO
eu esqueci
EU
e esse número de celular do cadastro ?
VELHACO
é meu.
EU
se eu ligar é o senhor q vai atender
VELHACO
sim senhor, pode ligar, ñ sou mentiroso
VELHACO
ela está morando na mesma casa q declarou no contrato?
VELHACO
ñ. eu é q estou lá.
EU
e ela está onde?
VELHACO
deve estar na casa da irmã.
EU
onde é a casa da irmã dela?
VELHACO
ñ sei direito.
EU
diga o q sabe q eu faço o resto.
VELHACO
é na rua deputado tiririca
EU
eu ñ me lembro dessa rua
VELHACO
é onde fazem a feira
EU
qual a cor da casa?
VELHACO
rapaz, q coisa, vc ñ vai acreditar...
EU
vc ñ se lembra!
VELHACO
é
EU
eu vou ficar aqui por três dias, vc entra em contato com ela e diz q eu quero bater um papo
VELHACO
ela quase ñ vem aqui, ñ sei como fazer...
EU
vcs têm filhos, pelo q vi no cadastro, algum dos filhos tem o telefone dela?
VELHACO
tem, mas eles estão na faculdade e desligam o celular durante a aula
EU
vc os educa muito bem
VELHACO
a gente é pobre mas somos todos educados
EU
fico sempre dignificado em lidar com pessoas religiosas e educadas
VELHACO
obrigado
EU
devo voltar nos outros dias. mas por enquanto, por favor, traga mais uma cerveja p/mim
o honesto homem se levantou e foi buscar outra cerva quente p/mim. fiquei perdido em elocubrações sobre meu ofício e tb sobre a natureza humana, uma natureza cheirosa e bem vestida como um lírio do campo. esse foi o tempo de ter tb uma breve conversa.
VELHACO
olhaqui sua cerveja
EU
obrigado. ah, e o senhor fez muito bem em comprar bíblias
VELHACO
pq?
EU
pq acaba de se operar um milagre. eu liguei p/o número de celular do cadastro, o seu celular, lembra? e qual ñ foi minha surpresa q ñ foi o senhor q atendeu, mas a sua esposa.
VELHACO
foi?
EU
ela disse q estará aqui em dez minutos. eu falei q iria vender fiado algumas coisas e ela se empolgou. esqueci de dizer q ela vai ter q pagar a dívida existente antes. conversa rápida. aqui esclareceremos.
VELHACO
minha esposa está de volta, obrigado deus !
EU
ñ é maravilhoso? e ela nem se lembra q vcs estão se separando, até riu qdo eu falei disso...
VELHACO
q boa notícia vc está me dando!
EU
ela está com seus filhos. ela disse q nenhum deles faz faculdade.
VELHACO
aqueles mentirosos, então inventaram isso p/mim?
EU
é melhor conversar com os meninos, senão eles vão continuar na mentira. p/onde será q vão qdo lhe dizem q estão indo p/a faculdade?
VELHACO
pode deixar. eu vou ter uma conversinha com eles. e com ela tb! ah, q mulher de deus q eu tenho...
EU
pois ñ é? sente e beba comigo. a noite está tão fria q a sua cerveja quente vai refrigerar daqui a pouco
VELHACO
ñ senhor. eu vendo bebidas p/quem quiser, mas ñ boto uma gota de álcool na boca. minha religião ñ permite. mas me sento junto com o sr sem problemas.
e sentamos eu e aquela nobre criatura de deus. no céu vi o q aparentava ser uma estrela cadente. aquele ambiente devasso e decaído estava ornado pelos mais sinceros sentimentos humanos. em um certo momento parecíamos, nós pecadores, um modesto vendedor de bíblia e um dono de bar vagabundo e mentiroso, afagados pela harmonia da criação. noite de encantos, noite de milagres, noite feliz.
sábado, 19 de maio de 2012
sábado, 12 de maio de 2012
perdi o título em algum ponto do texto
há muito tempo atrás, embora o texto esteja todo no presente, em uma galáxia muito distante, um homem percorre uma rua de classe média e para em frente a uma das casas. toca o interfone.
EMPREGADA
- sim?
- eu vim falar com o sr. Paulo.
EMPREGADA
- quem é?
- vc quer meu nome ou o q eu sou?
EMPREGADA
- hein?
- meu nome é meteoro. acho q posso ser considerado um filho dele.
EMPREGADA
- mete o q?
- meteoro. ele me conhece. diga q o meteoro está aqui.
EMPREGADA
- diego, deixe de brincadeira, eu vou abrir a porta p/vc entrar.
a porta é destrancada e o homem entra. ñ esperem descrições maiores do interior da casa, ñ sou arquiteto. contentem-se com: "é uma casa de classe média típica". imaginem aqueles caminhos com aquelas pedras quadradas ladeadas por grama findando-se em uma pequena calçada, esta seguida por degraus. no topo uma porta de blindex. ei, eu estava com preguiça de fazer e ñ ficou tão mau qto eu imaginava. meteoro entra e senta no sofá da sala. a empregada vem ao seu encontro, cavalheirescamente meteoro se levanta qdo ela adentra o recinto.
EMPREGADA
- o q é isso, quem é vc?
meteoro tem a aparência de um homem de 30 anos com uma margem de erro de 2 anos. tem cerca de 1,90 m e um queixo protuberante.
METEORO
- eu sou meteoro, vim falar com o sr. Paulo.
EMPREGADA
- ele sabia q vc vinha?
METEORO
- acho q ele nunca pensou em me encontrar.
EMPREGADA
- isso é muito estranho. eu pensei q era o neto dele q às vezes engrossa a voz no interfone e faz brincadeira. ele passa aqui depois da escola...
METEORO
- chame o sr. Paulo q ele esclarecerá tudo.
EMPREGADA
- como é o seu nome mesmo?
METEORO
- meteoro.
EMPREGADA
- seu paulo, tem um sr... um mete qualquer coisa querendo falar com o sr!
o homem, q já havia sentado de novo, parece ansioso. a mulher então fala:
EMPREGADA
- isso é uma brincadeira do pessoal do bar né ? vcs vive fazeno brincadeira um com outro...
METEORO
- quem é o pessoal do bar?
paulo desce as escadas q estão em um canto da sala e ñ acredita no q vê. chama a empregada e diz p/ q ela se preparasse, se ele a chamasse de norminha era p/ela chamar a polícia. isso rendeu alguns minutos de conversa pois a empregada disse q ñ se chamava norminha. paulo disse q sabia disso, é claro, q aquilo era só um código. mas ela insistiu q ñ se chamava norminha, q o nome era edicleusa e o "codo" devia ser edicleusa. ele respondeu q ela ñ ia diferenciar se ele a estava chamando de verdade ou se estava dizendo um código p/chamar a polícia. ela afirmou: "é só dizer: edicleusa, chame a polícia". vendo q aquela conversa iria longe, paulo falou: "é uma ordem, qdo eu disser 'norminha, traz o café', aí vc traz o café e depois chama a polícia".
EDICLEUSA/NORMINHA
"agora é p/trazer café tb? ñ era só p/chamar a polícia?"
PAULO
"senão ele pode desconfiar. faz o q eu tô mandando e pronto"
meteoro observava com curiosidade os dois cochichando. depois paulo veio ter com ele:
PAULO
- pois não, amigo? de onde o conheço?
agora meteoro está em pé e o q paulo vê é um homem com aparência de 30 anos com uma margem de erro de 2 anos. tem cerca de 1,90 m e um queixo protuberante. ah, ele usa um capacete amarelo, óculos de soldador e está de collant azul, com o q parece ser o desenho de um meteoro caindo no centro do peito. as luvas, a capa e a cueca por cima do collant tb são amarelas, como o capacete. calça um par de pés de pato com rodinhas de patins embaixo.
METEORO
- olá, sr Paulo, meu nome é meteoro. eu sou um personagem de quadrinhos q o sr criou qdo tinha doze anos.
PAULO
- pois muito bem, amigo, vamos p/o meu escritório ! norminha, por favor, traz um café. entendeu, NORMINHA? traz... um... café!
norminha, digo, edicleusa, sai em direção à cozinha.
os homens entram no escritório e meteoro fala:
METEORO
- vc se lembra de mim, ñ?
PAULO
- lembro, claro q eu lembro...
METEORO
- vc me criou qdo tinha doze anos.
PAULO
- isso faz tempo.
METEORO
- estou vendo, vc tem até um neto agora.
PAULO
- e pq vc veio me ver?
METEORO
- eu estava com uma série de dúvidas.
PAULO
- o q vc quer saber?
METEORO
- pq vc me criou?
PAULO
- amigo, se faz tanto tempo... eu ñ tenho como me lembrar...
METEORO
- vc ñ lembra de mim. está claro. vc me criou com uma série de habilidades, uma delas era saber qdo alguém estava mentindo. qdo alguém mente eu sinto uma dor forte no dedão esquerdo e qdo vc falou q se lembrava de mim eu senti como se tivessem batido no meu dedão com uma marreta.
PAULO
- taí um poder q eu ñ gostaria de ter. eu já teria perdido o dedo.
METEORO
- vc tinha um amigo, édson, q era desenhista...
PAULO
- édson... fazia curso de desenho na casa da cultura!
METEORO
- isso. vcs liam muito gibi e decidiram criar uma história em quadrinhos.
PAULO
- sim... fale mais.
METEORO
- primeiro vc criou minha origem. eu era o primeiro astronauta brasileiro a ir p/júpiter, na época vc ñ fazia ideia da besteira de mandar alguém p/júpiter, mas como só se falava em marte, vc queria ser original.
PAULO
- de fato, marte é um planeta legal, mas júpiter é o maior de todos, pq a ficção o ignora tanto?
METEORO
- eu estava em minha nave espacial, indo p/júpiter, qdo um meteoro a atingiu e com isso eu ganhei super-poderes.
PAULO
- sim, só q édson criticou essa ideia. ele disse q isso seria inverossímil: se o meteoro explodisse a nave é claro q vc morreria junto. mudei sua origem: o meteoro só passaria perto da nave e alguma coisa nele faria vc ter poderes. lembrei ! q imaginação eu tinha aos doze anos!
METEORO
- p/falar a verdade isso foi copiado do quarteto fantástico.
PAULO
- foi?
METEORO
- vcs até comentaram: "isso está igualzinho ao quarteto fantástico".
PAULO
- o cara q criou o quarteto era bom tb, hein?
METEORO
- stan lee.
PAULO
- hein?
METEORO
- stan lee criou o quarteto fantástico. vc parou de ler quadrinhos?
PAULO
- sou contador agora. minha leitura é só de balanços e declarações.
METEORO
- pq vcs ñ levaram a ideia adiante?
PAULO
- acho q falta de tempo. meninos de 12 anos têm muitas ocupações. eu tinha o hobby de chegar em casa, almoçar e dormir a tarde toda. o édson fazia curso de desenho. o fim-de-semana era p/jogar futebol. tudo muito corrido...
METEORO
- mas vc só me criou e ñ fez nenhuma história, eu estou parado esse tempo todo !
PAULO
- eu lembro q eu só gostava de criar o personagem. escrever a história é um saco. eu era criança, essa coisa de pegar o biscoito recheado e só comer o recheio... e queríamos ganhar dinheiro com o gibi, mas o édson já ganhava muito vendendo desenhos de mulheres nuas p/a gente.
METEORO
- ele desenhava mulheres nuas?
PAULO
- as mais perfeitas de q me lembro. ele olhava as meninas da sala e as desenhava nuas, claro q com alguns melhoramentos, nenhuma delas era um modelo de beleza. nós fazíamos pedidos e ele desenhava. ele as deixava com o corpo da sônia braga. lembro q eu diminuí minha compra de gibi. eu colecionava quase todos, parei de comprar o capitão américa e herois em ação... minha memória voltou. eu gastava muito dinheiro comprando os desenhos dele. ele era um tipo de cafetão.
METEORO
- e meu dedão parou de doer. mas pq ñ consegui falar com o édson?
PAULO
- bem, aí só se eu tivesse te dado poderes mediúnicos. há dois anos encontrei o édson no facebook, ele se formou em medicina e parou de desenhar. só um instante, preciso falar com a minha empregada.
paulo abre a porta e grita: "norminha, o café!"
METEORO
- ela ñ virá.
PAULO
- o q?
METEORO
- ela ñ virá. eu tenho superaudição, lembra? ouvi tudo q vcs conversaram. e esse óculos me dão visão de raio-x. eu olhei agora p/a cozinha e há um bilhete na porta da geladeira: "seo paulu sai pra compra cafeedicleusa normia".
PAULO
- ah, ótimo, ótimo.
METEORO
- a polícia de pouco adiantaria. vc me deu indestrutibilidade, as balas iam ricochetear, seria um perigo. vale o mesmo p/o revólver q vc tem na segunda gaveta dessa mesa.
PAULO
- onde estávamos?
METEORO
- édson, facebook...
PAULO
- o édson morreu em um quarto de motel cercado de desenhos de mulheres nuas...
METEORO
- meu dedão...
PAULO
- infelizmente ele morreu em uma cadeira de balanço, assistindo à novela das oito. enfarte. desculpe, sua presença me instigou a imaginação.
METEORO
- pois é, sabe-se lá de quem vc copiou isso.
PAULO
- o q vc bebe, meteoro?
METEORO
- eu sou um típico personagem de quadrinhos da década de 60, q era o q vc lia na década de 70 no brasil. eu ñ bebo, ñ fumo e a partir daí meu cérebro trava. há muitos espaços a preencher...pq vc ñ me desenvolveu mais? eu nem tenho namorada...
PAULO
- bom, 12 anos ñ é idade de gente, é idade de whisky, igual a esse aqui. com 12 anos eu ainda ñ sabia direito o q fazer com uma mulher. depois aprendi mais ou menos. com a idade esqueci o pouco q aprendi. vá por mim, ñ valeria à pena uma personagem criada por mim. melhor vc procurar uma namorada em um bar, será mais proveitoso. espere, o interfone tocou. vou descer e destravar a porta, deve ser meu neto. voltarei em seguida, pode conferir no dedão.
METEORO
- ok. mas pelo meu olfato esse whisky tem uns seis meses.
PAULO
- bom saber, já volto.
enquanto paulo desce, meteoro checa o escritório. uns móveis antigos, livros de contabilidade, um cofre vazio. meteoro sente uma coisa diferente bem no meio da imagem de meteoro q carrega no peito. "é isso a q chamam decepção?"
PAULO
- meteoro esse é meu sobrinho, diego.
DIEGO
- o q é isso? halloween?
PAULO
- o meteoro é um personagem q eu criei qdo eu tinha doze anos, a sua idade.
DIEGO
- eu tenho onze. e vc mandou fazer a fantasia p/um sem-teto vestir?
PAULO
- ñ. difícil explicar...
METEORO
- olá diego, vc tem obedecido a papai e mamãe?
DIEGO
- q porra é essa? olhaqui seu pedófilo se vc encostar a mão em mim eu te mato falou? q conversa de pedófilo é essa?
PAULO
- ñ diego. ele está com uma fala normal de um personagem da década de 60.
DIEGO
- e vc o criou qdo tinha doze anos? ñ foi com 8 ñ? qualé a da nadadeira com patins?
METEORO
- seu avô me deu o dom de voar, mas ñ supervelocidade, p/poder andar em terra em velocidade eu vôo sobre os patins.
DIEGO
- e pq ñ deu logo a supervelocidade p/vc ñ passar vexame com essa roupa?
PAULO
- eu ñ queria q parecesse o super-homem. mas pretendia assegurar sua supremacia na terra, na água e no ar, era uma homenagem às 3 forças armadas brasileiras. depois eu o esqueci.
METEORO
- e pq vc me esqueceu?
PAULO
- bom, eu cresci e outras coisas passaram a ser prioridade. fui p/a faculdade, virei comunista como todo mundo, deixei crescer um
cavanhaque, fiz uma tatuagem, depois precisei pagar as próprias contas e prometi q mesmo assim nunca deixaria de ser comunista, o seria em segredo naquela terra hostil do supérfluo. fui comunista no primeiro dia de trabalho e depois desisti sem perceber. após dez anos olhei-me no espelho e me percebi sem cavanhaque e tatuagem.
METEORO
PAULO
METEORO
PAULO
METEORO
PAULO
METEORO
PAULO
METEORO
PAULO
METEORO
PAULO
METEORO
PAULO
DIEGO
PAULO
DIEGO
METEORO
DIEGO
- ele tb podia ter umas garras...
METEORO
- ele puxou vc, está copiando o wolverine. fale mais filho.
DIEGO
- vamos na casa do meu amigo. eu aproveito p/olhar a mãe dele, q é uma gostosa.
METEORO
- o garoto tem futuro, Paulo. e ele ñ tem medo de mulher como vc...
PAULO
- se é assim então podem ir pq eu tenho um monte de serviço p/fazer.
eles descem a escada. antes de alcançarem o portão paulo ainda ouve:
DIEGO
- na primeira temporada vc já começa com câncer.
METEORO
- o q é câncer?
DIEGO
- vc vai descobrir !
edileuza chega sem nada nas mãos e passa por eles.
EDICLEUSA/NORMINHA
- seu paulo, ñ tem do café q o sr gosta, posso comprar de outra marca?
o coração de paulo se enche de um pouco de ódio. depois se arrefece com as lembranças daquele dia, afinal, bem q aquela poderia ser
"A PRIMEIRA AVENTURA DO METEORO".
EMPREGADA
- sim?
- eu vim falar com o sr. Paulo.
EMPREGADA
- quem é?
- vc quer meu nome ou o q eu sou?
EMPREGADA
- hein?
- meu nome é meteoro. acho q posso ser considerado um filho dele.
EMPREGADA
- mete o q?
- meteoro. ele me conhece. diga q o meteoro está aqui.
EMPREGADA
- diego, deixe de brincadeira, eu vou abrir a porta p/vc entrar.
a porta é destrancada e o homem entra. ñ esperem descrições maiores do interior da casa, ñ sou arquiteto. contentem-se com: "é uma casa de classe média típica". imaginem aqueles caminhos com aquelas pedras quadradas ladeadas por grama findando-se em uma pequena calçada, esta seguida por degraus. no topo uma porta de blindex. ei, eu estava com preguiça de fazer e ñ ficou tão mau qto eu imaginava. meteoro entra e senta no sofá da sala. a empregada vem ao seu encontro, cavalheirescamente meteoro se levanta qdo ela adentra o recinto.
EMPREGADA
- o q é isso, quem é vc?
meteoro tem a aparência de um homem de 30 anos com uma margem de erro de 2 anos. tem cerca de 1,90 m e um queixo protuberante.
METEORO
- eu sou meteoro, vim falar com o sr. Paulo.
EMPREGADA
- ele sabia q vc vinha?
METEORO
- acho q ele nunca pensou em me encontrar.
EMPREGADA
- isso é muito estranho. eu pensei q era o neto dele q às vezes engrossa a voz no interfone e faz brincadeira. ele passa aqui depois da escola...
METEORO
- chame o sr. Paulo q ele esclarecerá tudo.
EMPREGADA
- como é o seu nome mesmo?
METEORO
- meteoro.
EMPREGADA
- seu paulo, tem um sr... um mete qualquer coisa querendo falar com o sr!
o homem, q já havia sentado de novo, parece ansioso. a mulher então fala:
EMPREGADA
- isso é uma brincadeira do pessoal do bar né ? vcs vive fazeno brincadeira um com outro...
METEORO
- quem é o pessoal do bar?
paulo desce as escadas q estão em um canto da sala e ñ acredita no q vê. chama a empregada e diz p/ q ela se preparasse, se ele a chamasse de norminha era p/ela chamar a polícia. isso rendeu alguns minutos de conversa pois a empregada disse q ñ se chamava norminha. paulo disse q sabia disso, é claro, q aquilo era só um código. mas ela insistiu q ñ se chamava norminha, q o nome era edicleusa e o "codo" devia ser edicleusa. ele respondeu q ela ñ ia diferenciar se ele a estava chamando de verdade ou se estava dizendo um código p/chamar a polícia. ela afirmou: "é só dizer: edicleusa, chame a polícia". vendo q aquela conversa iria longe, paulo falou: "é uma ordem, qdo eu disser 'norminha, traz o café', aí vc traz o café e depois chama a polícia".
EDICLEUSA/NORMINHA
"agora é p/trazer café tb? ñ era só p/chamar a polícia?"
PAULO
"senão ele pode desconfiar. faz o q eu tô mandando e pronto"
meteoro observava com curiosidade os dois cochichando. depois paulo veio ter com ele:
PAULO
- pois não, amigo? de onde o conheço?
agora meteoro está em pé e o q paulo vê é um homem com aparência de 30 anos com uma margem de erro de 2 anos. tem cerca de 1,90 m e um queixo protuberante. ah, ele usa um capacete amarelo, óculos de soldador e está de collant azul, com o q parece ser o desenho de um meteoro caindo no centro do peito. as luvas, a capa e a cueca por cima do collant tb são amarelas, como o capacete. calça um par de pés de pato com rodinhas de patins embaixo.
METEORO
- olá, sr Paulo, meu nome é meteoro. eu sou um personagem de quadrinhos q o sr criou qdo tinha doze anos.
PAULO
- pois muito bem, amigo, vamos p/o meu escritório ! norminha, por favor, traz um café. entendeu, NORMINHA? traz... um... café!
norminha, digo, edicleusa, sai em direção à cozinha.
os homens entram no escritório e meteoro fala:
METEORO
- vc se lembra de mim, ñ?
PAULO
- lembro, claro q eu lembro...
METEORO
- vc me criou qdo tinha doze anos.
PAULO
- isso faz tempo.
METEORO
- estou vendo, vc tem até um neto agora.
PAULO
- e pq vc veio me ver?
METEORO
- eu estava com uma série de dúvidas.
PAULO
- o q vc quer saber?
METEORO
- pq vc me criou?
PAULO
- amigo, se faz tanto tempo... eu ñ tenho como me lembrar...
METEORO
- vc ñ lembra de mim. está claro. vc me criou com uma série de habilidades, uma delas era saber qdo alguém estava mentindo. qdo alguém mente eu sinto uma dor forte no dedão esquerdo e qdo vc falou q se lembrava de mim eu senti como se tivessem batido no meu dedão com uma marreta.
PAULO
- taí um poder q eu ñ gostaria de ter. eu já teria perdido o dedo.
METEORO
- vc tinha um amigo, édson, q era desenhista...
PAULO
- édson... fazia curso de desenho na casa da cultura!
METEORO
- isso. vcs liam muito gibi e decidiram criar uma história em quadrinhos.
PAULO
- sim... fale mais.
METEORO
- primeiro vc criou minha origem. eu era o primeiro astronauta brasileiro a ir p/júpiter, na época vc ñ fazia ideia da besteira de mandar alguém p/júpiter, mas como só se falava em marte, vc queria ser original.
PAULO
- de fato, marte é um planeta legal, mas júpiter é o maior de todos, pq a ficção o ignora tanto?
METEORO
- eu estava em minha nave espacial, indo p/júpiter, qdo um meteoro a atingiu e com isso eu ganhei super-poderes.
PAULO
- sim, só q édson criticou essa ideia. ele disse q isso seria inverossímil: se o meteoro explodisse a nave é claro q vc morreria junto. mudei sua origem: o meteoro só passaria perto da nave e alguma coisa nele faria vc ter poderes. lembrei ! q imaginação eu tinha aos doze anos!
METEORO
- p/falar a verdade isso foi copiado do quarteto fantástico.
PAULO
- foi?
METEORO
- vcs até comentaram: "isso está igualzinho ao quarteto fantástico".
PAULO
- o cara q criou o quarteto era bom tb, hein?
METEORO
- stan lee.
PAULO
- hein?
METEORO
- stan lee criou o quarteto fantástico. vc parou de ler quadrinhos?
PAULO
- sou contador agora. minha leitura é só de balanços e declarações.
METEORO
- pq vcs ñ levaram a ideia adiante?
PAULO
- acho q falta de tempo. meninos de 12 anos têm muitas ocupações. eu tinha o hobby de chegar em casa, almoçar e dormir a tarde toda. o édson fazia curso de desenho. o fim-de-semana era p/jogar futebol. tudo muito corrido...
METEORO
- mas vc só me criou e ñ fez nenhuma história, eu estou parado esse tempo todo !
PAULO
- eu lembro q eu só gostava de criar o personagem. escrever a história é um saco. eu era criança, essa coisa de pegar o biscoito recheado e só comer o recheio... e queríamos ganhar dinheiro com o gibi, mas o édson já ganhava muito vendendo desenhos de mulheres nuas p/a gente.
METEORO
- ele desenhava mulheres nuas?
PAULO
- as mais perfeitas de q me lembro. ele olhava as meninas da sala e as desenhava nuas, claro q com alguns melhoramentos, nenhuma delas era um modelo de beleza. nós fazíamos pedidos e ele desenhava. ele as deixava com o corpo da sônia braga. lembro q eu diminuí minha compra de gibi. eu colecionava quase todos, parei de comprar o capitão américa e herois em ação... minha memória voltou. eu gastava muito dinheiro comprando os desenhos dele. ele era um tipo de cafetão.
METEORO
- e meu dedão parou de doer. mas pq ñ consegui falar com o édson?
PAULO
- bem, aí só se eu tivesse te dado poderes mediúnicos. há dois anos encontrei o édson no facebook, ele se formou em medicina e parou de desenhar. só um instante, preciso falar com a minha empregada.
paulo abre a porta e grita: "norminha, o café!"
METEORO
- ela ñ virá.
PAULO
- o q?
METEORO
- ela ñ virá. eu tenho superaudição, lembra? ouvi tudo q vcs conversaram. e esse óculos me dão visão de raio-x. eu olhei agora p/a cozinha e há um bilhete na porta da geladeira: "seo paulu sai pra compra cafe
PAULO
- ah, ótimo, ótimo.
METEORO
- a polícia de pouco adiantaria. vc me deu indestrutibilidade, as balas iam ricochetear, seria um perigo. vale o mesmo p/o revólver q vc tem na segunda gaveta dessa mesa.
PAULO
- onde estávamos?
METEORO
- édson, facebook...
PAULO
- o édson morreu em um quarto de motel cercado de desenhos de mulheres nuas...
METEORO
- meu dedão...
PAULO
- infelizmente ele morreu em uma cadeira de balanço, assistindo à novela das oito. enfarte. desculpe, sua presença me instigou a imaginação.
METEORO
- pois é, sabe-se lá de quem vc copiou isso.
PAULO
- o q vc bebe, meteoro?
METEORO
- eu sou um típico personagem de quadrinhos da década de 60, q era o q vc lia na década de 70 no brasil. eu ñ bebo, ñ fumo e a partir daí meu cérebro trava. há muitos espaços a preencher...pq vc ñ me desenvolveu mais? eu nem tenho namorada...
PAULO
- bom, 12 anos ñ é idade de gente, é idade de whisky, igual a esse aqui. com 12 anos eu ainda ñ sabia direito o q fazer com uma mulher. depois aprendi mais ou menos. com a idade esqueci o pouco q aprendi. vá por mim, ñ valeria à pena uma personagem criada por mim. melhor vc procurar uma namorada em um bar, será mais proveitoso. espere, o interfone tocou. vou descer e destravar a porta, deve ser meu neto. voltarei em seguida, pode conferir no dedão.
METEORO
- ok. mas pelo meu olfato esse whisky tem uns seis meses.
PAULO
- bom saber, já volto.
enquanto paulo desce, meteoro checa o escritório. uns móveis antigos, livros de contabilidade, um cofre vazio. meteoro sente uma coisa diferente bem no meio da imagem de meteoro q carrega no peito. "é isso a q chamam decepção?"
PAULO
- meteoro esse é meu sobrinho, diego.
DIEGO
- o q é isso? halloween?
PAULO
- o meteoro é um personagem q eu criei qdo eu tinha doze anos, a sua idade.
DIEGO
- eu tenho onze. e vc mandou fazer a fantasia p/um sem-teto vestir?
PAULO
- ñ. difícil explicar...
METEORO
- olá diego, vc tem obedecido a papai e mamãe?
DIEGO
- q porra é essa? olhaqui seu pedófilo se vc encostar a mão em mim eu te mato falou? q conversa de pedófilo é essa?
PAULO
- ñ diego. ele está com uma fala normal de um personagem da década de 60.
DIEGO
- e vc o criou qdo tinha doze anos? ñ foi com 8 ñ? qualé a da nadadeira com patins?
METEORO
- seu avô me deu o dom de voar, mas ñ supervelocidade, p/poder andar em terra em velocidade eu vôo sobre os patins.
DIEGO
- e pq ñ deu logo a supervelocidade p/vc ñ passar vexame com essa roupa?
PAULO
- eu ñ queria q parecesse o super-homem. mas pretendia assegurar sua supremacia na terra, na água e no ar, era uma homenagem às 3 forças armadas brasileiras. depois eu o esqueci.
METEORO
- e pq vc me esqueceu?
PAULO
- bom, eu cresci e outras coisas passaram a ser prioridade. fui p/a faculdade, virei comunista como todo mundo, deixei crescer um
cavanhaque, fiz uma tatuagem, depois precisei pagar as próprias contas e prometi q mesmo assim nunca deixaria de ser comunista, o seria em segredo naquela terra hostil do supérfluo. fui comunista no primeiro dia de trabalho e depois desisti sem perceber. após dez anos olhei-me no espelho e me percebi sem cavanhaque e tatuagem.
METEORO
- o q é comunismo?
PAULO
- um substantivo abstrato. e capitalismo, um substantivo concreto.
METEORO
- fale em linguagem de quadrinhos.
PAULO
- comunismo é o coringa. capitalismo é o lex luthor.
METEORO
- ñ há herois?
PAULO
- bem vindo à realidade.
nesse momento diego desce e vai procurar o q comer na cozinha. "q conversa enfadonha!"
METEORO
- vc está sendo muito vago. eu preciso de mais informação. lembra do dia em q vcs marcaram de conversar sobre a minha primeira história? pq vc ñ foi?
PAULO
- lembro - toma uma dose de whisky - ocorre q eu era apaixonado pela irmã do édson e nós iríamos discutir sua história na casa dele. ela deveria estar lá. eu nem fui p/aula de educação física. senti febre, dor em todos os ossos do corpo, chorei durante toda aquela tarde, delirando.
METEORO
- é a isso q chamam de paixão?
PAULO
- ñ. era dengue. durou 7 dias. a paixão durou um pouco mais, mas depois me apaixonei por outra menina e esqueci a irmã do édson. e o édson.
METEORO
- vc só era amigo dele p/se aproximar da sua irmã?
PAULO
- há motivos bem piores p/se ter uma amizade.
METEORO
- e eu fui criado p/q vc agradasse ao irmão da menina de quem vc gostava?
PAULO
- pelo menos vc foi planejado, ué.
meteoro está zonzo agora, tenta ficar de pé mas os patins o fazem escorregar e cair. diego aparece à porta com um pacote de biscoito.
DIEGO
- vô, eu tenho como deixar esse personagem muito melhor. desse jeito ele ñ venderia nada. tem um amigo meu q desenha em estilo mangá. a primeira coisa seria colocar um revólver na cintura dele, superpoderes ñ são o bastante hj. vc tem q ser meio gângster.
PAULO
- se vc quiser pode levá-lo acho q ele ñ tem mais nada a ver comigo.
DIEGO
- podíamos colocá-lo como um mulherengo e beberrão, mas de bom coração.
METEORO
- estou gostando das opiniões do seu neto.
DIEGO
- ele tb podia ter umas garras...
METEORO
- ele puxou vc, está copiando o wolverine. fale mais filho.
DIEGO
- vamos na casa do meu amigo. eu aproveito p/olhar a mãe dele, q é uma gostosa.
METEORO
- o garoto tem futuro, Paulo. e ele ñ tem medo de mulher como vc...
PAULO
- se é assim então podem ir pq eu tenho um monte de serviço p/fazer.
eles descem a escada. antes de alcançarem o portão paulo ainda ouve:
DIEGO
- na primeira temporada vc já começa com câncer.
METEORO
- o q é câncer?
DIEGO
- vc vai descobrir !
edileuza chega sem nada nas mãos e passa por eles.
EDICLEUSA/NORMINHA
- seu paulo, ñ tem do café q o sr gosta, posso comprar de outra marca?
o coração de paulo se enche de um pouco de ódio. depois se arrefece com as lembranças daquele dia, afinal, bem q aquela poderia ser
"A PRIMEIRA AVENTURA DO METEORO".
domingo, 6 de maio de 2012
A cabana
em uma cabana, churchill, um elvis gordo, um ex-bbb e maquiavel jogam cartas. estão no pólo norte mas é verão e todos usam camiseta. no canto, sun tzu apenas observa. os outros ficam gelados com o seu olhar, com exceção do ex-bbb q apenas se pergunta: o q aquele pasteleiro está fazendo ali? de vez em quando faz brincadeiras: "cadê o meu pastel? chinês, cadê o meu pastel?" é capaz de ficar horas falando essas frases. sun tzu fica imóvel como um manequim de loja. hitler, nu, serve de banquinho para churchill, além de cinzeiro. churchill ñ emagreceu após a morte, pelo contrário, e isso faz a coluna de hitler ter mais curvas do q a estrada de santos.
churchill acende seus charutos em uma mula sem cabeça q atende pelo nome de "ei". churchill fala "ei" e o animal se aproxima e se agacha até a altura conveniente. todos na sala evitam falar "ei" pq quando outra voz pronúncia esse vocábulo o animal risca o chão com um dos cascos e se atira furiosamente na direção da voz. isso rendeu alguns incêndios naquele recinto. conversam sobre raul e sua súbita ascensão a outro nível de existência. surpreendentemente todos falam português.
- ele merecia, aqui ñ podia beber muito, mas eu soube q depois da promoção fizeram um transplante do fígado de "prometeu" para ele - afirmou churchill antes de mexer o gelo do whisky com um charuto apagado.
- tem mais de dois mil mortos esperando um fígado de prometeu. eu mesmo vou querer dois - disse o elvis gordo enquanto coçava o queixo com um revólver.
- o q é fígado ? - indagou o ex-bbb enquanto procurava a câmera q os filmava. "preciso deixar à mostra o meu melhor ângulo, ah, como é duro manter esse olhar sensual, acho q vou espalhar cola nas bolsas dos olhos de novo, espero q dessa vez eu ñ pare no hospital".
maquiavel ñ fala nada, apenas pisca o olho p/sun tzu, q nada responde, parece a estátua de um morto.
com inveja de raul, elvis pega uma trombeta e começa a tocar "hound dog". para na primeira soprada e senta deprimido, ñ consegue cantar e tocar o instrumento ao mesmo tempo. como guitarras são proibidas no céu ou onde quer q eles estivessem, pediu uma harpa, mas por questões de burocracia mandaram-lhe uma segunda boca. em outro lugar um mudo recebeu uma harpa e ficou sem entender nada. sem saber em q parte do corpo colocaria a segunda boca, elvis pediu a churchill q a torrasse na mula-sem-cabeça. usaram como petisco em uma das noites de pôquer. nesse momento elvis está triste. pega suas cartas e obriga hitler a comê-las. depois sai à procura de uma tv em q possa praticar tiro ao alvo.
na mesa restam os outros três. maquiavel dá um sorriso q é ao mesmo tempo irônico, repleto de bondade falsa e triste com a falência do primeiro mac donalds no haiti. o ex-bbb tira a camiseta e exibe no peito um ideograma japonês q significa: "paz e prosperidade p/as cabras e os epiléticos de boa vontade". um tatuador analfabeto em japonês e português o fez dizendo ser um antigo mantra criado pela mulher q preparava grilos ao molho de maracujá p/um respeitado monge, chefe do almoxarifado do maior templo da menor cidade do japão. por comer a mesma coisa todo dia o eremita morreu de tédio gastronômico e a mulher assumiu o seu lugar. usou uma de suas sobrancelhas p/simular um bigode e consultou uma nutricionista p/ñ cair no erro de sempre comer a mesma coisa. descobriu mais de mil receitas com grilos. mas, essa era a história q eu estava contando?
falta falar do terceiro q estava à mesa. vou reler p/saber de quem se trata. aguardem um pouco. ponham o texto diante dos meus olhos por favor. churchill. churchill parecia uma correnteza de suor. tirou sua camiseta tb, revelando q estava de cinta. desatou-a e emitiu um flato. hitler pensou q se tratava do fim do mundo. sun tzu levou a mão ao nariz, mas manteve o olhar enigmático.
elvis voltou p/a sala. estava com abstinência de dar tiros e tremia as mãos. perguntou se alguém tinha celular com tv. o ex-bbb, já prevendo um contrato com uma marca de celular, gritou: "eu tenho". elvis deu um sorriso gordo q fez toda a sua cara estremecer como uma geleia.
"filho, pegue o celular e estique o braço, o mais alto q vc puder. afaste-se dos outros, por favor, ñ vamos ser irresponsáveis."
o ex-bbb entregou suas cartas a maquiavel sob a condição de q este ñ as olharia. levantou o braço. elvis atira e maquiavel cai morto. churchill divide a grana com sun tzu e elvis. o ex-bbb é convencido a lavar os pratos pois seria sua vez. as primeiras duzentas mil vezes seriam sua vez. p/se fazer de vítima p/a audiência o ex-bbb aceita pensando q por causa dessas coisas seria o grande vencedor do programa.
moral da história: afinal o q é ser louco?
Relatório
Esse foi o texto solicitado a um dos pacientes visando aferir sua aptidão p/o convívio social. De fato, o início ñ foi animador pois o paciente solicitou uma pá para escrever a redação. Ao lhe darmos uma caneta ele furou o pescoço de um dos enfermeiros, mas este já passa bem e hoje até ri do acontecido. Concordamos q seria mais seguro se ele nos ditasse o texto. Após meia hora nada aconteceu. Reunimo-nos e decidimos retirar a mordaça de ferro do paciente, o que revelou ser o principal óbice para o início dos trabalhos. Na ocasião um outro enfermeiro foi mordido e diferentemente do primeiro este é uma pessoa amarga e sem compreensão da raiva que uma pessoa tem ao ser amordaçada, eu que o diga, por isso está processando a nossa clínica. Detalhes, detalhes... O texto acima foi ditado ininterruptamente e sem que o narrador tomasse fôlego, por isso, ao fim, todos batemos palmas pelos pulmões olímpicos do cidadão. Temos um campeão sob nosso teto. Ou melhor, tínhamos. É já com saudade, mas feliz pelo trabalho realizado, que liberamos mais um paciente para viver em sociedade. A princípio ele nos disse que fundará uma igreja ou colecionará suas próprias unhas, ainda não sabe ao certo. Enfim, uma dúvida natural de que todos padecemos. Sua irmã veio buscá-lo de táxi, fato que nos causou espécie. Tem dinheiro para o táxi, no entanto não pagou as 28 prestações atrasadas que tem conosco. A única esperança de receber essa dinheirama é se ele optar em fundar uma igreja, dessa forma poderemos penhorar os dízimos. Desculpem as digressões. Concluo pelo diagnóstico de SANIDADE e faço votos de uma trajetória feliz e principalmente bem-sucedida.
Philip Van Basten
Psiquiatra e astrólogo
terça-feira, 1 de maio de 2012
fulano e beltrano
FULANO ficou com uma menina em uma micareta depois foi em sua casa para pedir namoro. lá a menina o dispensou dizendo q precisava de tempo para estudar p/o vestibular. ele se levantou e com raiva disse:
"vc nunca, veja bem, nunca, NUNCA vai passar no vestibular. vc é uma pessoa amarga e triste, q ñ quer namorar. e namorar comigo, o q é muito bom."
ele saiu confiante q aquela praga ia pegar. depois do vestibular ele soube q a menina havia passado. e em primeiro lugar. e conseguiu uma bolsa de pesquisa como prêmio. depois disso ele pensou em usar psicologia reversa com o destino e qdo foi dispensado na vez seguinte por outra menina ele lhe desejou o melhor possível:
"seu pai morreu e vc ñ pensa em ter um relacionamto agora, mas tenha certeza q ele deve estar no céu, entre anjos maravilhosos cantando o hino do flamengo. ah, ele torcia para o vasco? então eles estão cantando o hino do vasco e q um dia ao superar tudo isso vc encontrará uma pessoa maravilhosa q compartilhará sua vida com cuidado e generosidade. vcs terão uma vida longa e próspera, longe de todas as doenças, especialmente as venéreas. e câncer. preciso dizer isso. vcs nunca terão câncer - aí ela falou aids- é e aids tb. e um dia, muito mais muito distante, vc reencontrará seu pai, ñ em um caldeirão de lava efervescente, mas em um curso de harpa no paraíso, ministrado pelo próprio jesus".
a menina achou aquilo tão bonito q mudou de ideia e topou namorar com ele. e até casou com ele. nunca teve um dia em q ele ñ pensou nessa praga mascarada de votos de felicidade. um dia encontrou uma mancha esquisita perto do nariz.
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BELTRANO precisava terminar um relacionamento e estava com pena de gastar passes de ônibus p/ir à casa da namorada e encerrar o romance. mas foi assim mesmo e assim q chegou a menina disse:
"vamos sair e comer um sanduíche."
qdo ele pensou em discordar já estava sentado numa cadeira da lanchonete esperando o sanduíche chegar. ñ pediu nada p/ele, "estou sem fome". ela disse q ele estava estranho e parecia triste. ele aproveitou a deixa e respondeu q estava assim pq se sentia muito diminuído diante dela, q era um mulherão. q ela ñ o merecia. q merecia coisa melhor. q ele estava numa fase complicada da vida, estava pensando no sentido da existência, no rebaixamento de plutão a asteroide ou cometa, ele ñ sabia bem, se o q existe na imaginação equivale ao q existe na realidade. por exemplo, um rinoceronte unicórnio podia estar em uma realidade alternativa agora pensando neles e dando risadas para as figuras desses esdrúxulos seres humanos. ou bem podia ser uma anta, o q tornaria tudo mais humilhante. esses eram conflitos q lhe davam muita angústia. ela disse q estava surpresa, q nunca se achou um mulherão, mas q nesse momento essas observações dele, q parecia ser um cara inteligente por falar tantas coisa q ela ñ entendeu, a encheram de auto-confiança e q ela ñ poderia largar um homem q a venerava tanto. no final ela pagou o sanduíche (pois ele havia esquecido a carteira em cima da cama) e continuaram a namorar.
ele se apaixonou por ela, como poderia largar uma mulher q paga a própria conta? 3 meses depois eles estavam na mesma lanchonete. ele devorava um sanduíche e ela estava sem fome. então ela começou a falar. disse q ponderou muito sobre o relacionamento e sobre o q ele falara naquela mesma lanchonete. disse q após 3 meses percebeu q ele dissera a verdade e q ela merecia coisa melhor. ele começou a chorar enqto comia o sanduíche.
"mas eu amo vc. vc é a mulher da minha vida".
"ñ podemos nos relacionar mais. agradeço a sua fala q me despertou para o fato de q eu sou um mulherão, mas ñ posso pagar isso com um relacionamento. um obrigado já é suficiente. eu vou procurar alguém do meu nível e deixar de abalar a sua segurança".
" mas vc ñ abala mais a minha confiança, ao seu lado eu me tornei um homão. hj eu sou um cara maravilhoso".
" humm... ñ, ñ. eu te acho bem medíocre. um traste para falar a verdade. mas ñ se preocupe, a mediocridade é muito comum, vc terá muita opção p/encontrar uma mulher do seu nível. o q ñ falta no mundo são idiotas".
"me dê mais uma chance. ah, qdo eu fico estressado me dá uma fome, vou pedir outro sanduíche..."
"só peça se tiver o dinheiro. esse sanduíche q vc é comeu é o último q vou lhe pagar. além de medíocre vc custa muito caro. eu podia dar entrada em uma mobilete com o q eu gastei com vc nesses 3 meses. o q eu perderia mais ao longo do tempo? um apartamento? uma casa no campo? um iate? estou falando p/te ajudar, vc tem sérios problemas de apetite".
ele enxugava as lágrimas com um guardanapo, lembrou p/si mesmo q ELE é q iria terminar o namoro com essa boçal e q agora ela é q ficava botando moral, bancando a gostosa. teve raiva. teve fúria. e isso foi crescendo nele até q desabafou:
"eu confiei em vc esse tempo todo.confiei tanto q vim sem o passe do ônibus ou o dinheiro p/a volta, na expectativa de vc ter um passe p/me emprestar. vc sabe o nome disso? isso se chama CONFIANÇA. e vc vem com essa trairagem. se vc ia terminar, a praxe obriga q vc fosse ao meu encontro e ñ o contrário. como pude namorar uma mulher q desconhece o mais banal dos protocolos de relacionamento? como pude ser tão cego? quer saber? se vc ñ me der um passe agora eu faço uma cena".
ela revirou a bolsa, achou um passe e lhe entregou.
"eu vi tb uma nota de dez reais na sua bolsa, se vc ñ me entregá-la eu faço uma cena".
"pode fazer sua cena, eu ñ vou ficar para assistir".
ele se levantou e falou para a lanchonete cheia:
"essa mulher me deu um passe de ônibus para q eu transasse com ela!"
um cara do canto gritou: "vc ñ vale tudo isso". é horrível qdo esses engraçadinhos aparecem. ela riu e saiu com toda dignidade.
ele saiu pensando no mau-caratismo das mulheres imaginando ser uma marca cromossômica ou algo do gênero. achou a noite bonita e estrelada. olhou o relógio, ainda estava cedo, e pensou: "acho q vou na casa de outra namorada q mora aqui perto. ainda deve dar tempo de pegar a janta. será q ela tem passe?". e saiu assoviando.
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