domingo, 15 de abril de 2012

STRAUSS DA VALSA E PABLO DO ARROCHA

estava eu descansando meus ossos em um trecho do litoral da boa terra, traçando parcimoniosamente um bom livro, qdo meus ouvidos fizeram contato com o q parecia ser algo sobrenatural. primeiro imaginei-me um médium, o q me permitiria realizar o antigo e secreto sonho de me tornar um x-man, mas perguntei à minha senhora se ela estava ouvindo um som diferente, como se viesse de uma orquestra de anjos. ela disse q ñ estava conseguindo ouvir os anjos pois um carro havia estacionado perto de uma cabana da praia e impôs  uma música do inferno q poderia ser ouvida em um raio de 20 km, e q ela achou q se fossem anjos seriam os do apocalipse. ñ podia ser! o som de q ela falava era o mesmo q eu estava ouvindo ! minha senhora estava na verdade usando do recurso da ironia e pus-me a rir com a sua observação. ñ sou conhecedor de música, meus ouvidos têm a habilidade q um bicho-preguiça teria p/tocar cavaquinho, tarefa por demais dificultosa, mesmo o animal já possuindo as unhas grandes, mas minha audição serve apenas p/rudimentos do dia-dia e com o tempo está mais amante dos gritos q dos sussurros  a q as pessoas chamam de volume normal de diálogo. creio q meus ouvidos estão precisando de muletas. a despeito de tudo isso eu sei reconhecer um milagre qdo o ouço. q ser humano ñ é capaz de reconhecer o espetacular, o extraordinário ou o assombroso qdo este assoma à sua porta. e aquela música me assombrava. levantei-me vigorosamente do meu ócio e me coloquei em passos firmes rumo à cabana de onde emanava aquele som melífluo. 

logicamente eu ñ iria falar diretamente com o proprietário do veículo de onde vinha todo aquele milagre. imaginem são paulo na estrada de damasco e todo aquele brilho na estrada q terminou por o cegar ! duas coisas q eu sei sobre eventos extraordinários: nunca olhe direto p/o brilho, especialmente na estrada p/damasco; jamais caminhe para a luz, especialmente se vc estiver parado em uma cama de uti. se aparecer um brilho ponha as mãos nos bolsos, assobie, converse com a pessoa ao lado sobre a novela ou qdo irá chover, finja q ñ é com vc. a luz é claramente uma emboscada, é a morte fazendo blitz. por isso fui na borda do evento conversar com um atendente da cabana, antes de ter com são pedro, q no mínimo deveria ser o proprietário daquele veículo automotor de som tão potente. aliás é preciso fazer um elogio em particular à indústria de caixas de som. ñ creio q outra área da civilização tenha se desenvolvido com mais pujança do que a das caixas de som. q coisa fantástica ! há tempos q dodô, osmar e o terceiro q ninguém lembra o nome, os quais compunham o trio elétrico primordial, subiram em um carro e saíram tocando pelas ruas de salvador. hoje esse som seria de mosquito perto dos decibéis q os carros atuais, associados às modernas caixas de som podem produzir. poderiam inverter e colocar os criativos e competentes inventores da tecnologia de som p/trabalhar na vacina contra o câncer e os cientistas sem resultados visíveis dessa área poderiam ficar com o âmbito do som q creio ñ poderá avançar muito mais sob pena de esfolar nossos tímpanos.

mas quero chegar hoje à cabana e sempre outro assunto atrapalha. já me vou colocar defronte do atendente da cabana  p/adiantar o negócio pq tenho mais coisas p/fazer hj. então estou diante do
balconista, e dialogamos:

eu:  meu bom taberneiro, q tipo de som maravilhoso é esse q ouço ?

balconista: amigo, tenho certeza q o som q vc ouve é o mesmo q ouço, embora para mim o efeito deva ser levemente diferente pois estou de ressaca e com dor de cabeça. esse som é do inigualável pablo do arrocha.

eu: bom despachante de bebidas alcóolicas, perdoe-me a ignorância, mas arrocha seria a cidade de onde viria o gênio apontado, a exemplo de outros q incorporam os locais de origem a seus nomes de batismo, tais como ney mato-grosso ou jesus de nazaré? 

balconista: ñ. arrocha é um ritmo dançante. ñ é contagiante mas é contagioso, pq como pode verificar, todos num raio de 20 km devem estar com essa música na cabeça. inclusive eu, q estou com dor de cabeça.

eu: entendo, entendo... temi q arrocha fosse um nome de lugar e fiquei pensando como se chamariam os q nascem em uma cidade assim chamada. esse pablo deve ser uma assumidade porque ao seu nome juntou a denominação do próprio ritmo, estou certo?

balconista: sim. existe o whisky q dá dor de cabeça, q é esse q eu vendo aqui na cabana, e o whisky q vendem nas cabanas de praia da escócia e q merecem o nome de whisky. em circunstâncias normais eu o beberia com prazer. mas no momento eu estou achando a música de pablo um destilado de veneno de rato.

eu: pois ñ ? -  e me afastei daquele herege q me deu tão boas informações. ñ quis falar com o proprietário do carro de som por pura timidez. tb percebi q ele ñ apreciava a presença de fãs pois um indivíduo mais corajoso foi lhe falar e ele fez menção de pegar alguma coisa no porta-luvas. imaginei q fosse uma caneta p/fazer um autógrafo, mas o fã outrora destemido saiu em uma carreira sem fim qdo seu ídolo abriu a porta do carro velozmente. o comportamento humano é mesmo muito curioso, tão perto de conseguir o q almejava o ser se sabota e se afasta do seu objetivo !

voltei p/o lugar em q eu estava lendo o livro e fiquei absorto naquelas reflexões. recordei-me de strauss, q mesmo sendo festejado como o criador da valsa, jamais teve forjado seu nome em conjunto com o gênero musical. nem luiz gonzaga nem beethoven e outros q ñ conheço por falta de cultura musical. a inveja dos contemporâneos ñ permite reconhecer a presença de um gênio enquanto vivo. depois parei com as reflexões. ocorreu o mesmo q ocorre com aqueles q migram de uma alimentação artificial e gordurosa para uma dieta mais natural. primeiro senti dor de cabeça, depois tontura. por fim, adoidado de tanta beleza, às margens do oceano atlântico, vomitei sobre meu livro. na saída joguei meu livro fora. se existe pablo do arrocha p/q eu preciso de livros?      




       

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